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	<title>Thiago Cascabulho</title>
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		<title>Porvires</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Nov 2010 19:22:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[No horizonte formam-se cascatas De porvires que anunciam os textos. Sinto mãos de uma cigana, pondo cartas&#8230; Escrevo ao destino em meus sonetos. É de eterno retorno este afeto, Que me transcreve estações do ano: Se lambidas vagas molham o &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=682"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>No horizonte formam-se cascatas</div>
<div>De porvires que anunciam os textos.</div>
<div>Sinto mãos de uma cigana, pondo cartas&#8230;</div>
<div>Escrevo ao destino em meus sonetos.</div>
</p>
<div>É de eterno retorno este afeto,</div>
<div>Que me transcreve estações do ano:</div>
<div>Se lambidas vagas molham o inverno</div>
<div>É que vagões repletos gozam outonos.</div>
</p>
<div>É excitante o amor pelas palavras&#8230;</div>
<div>Será o único? A poesia nos explica</div>
<div>Quando versifica o futuro em sua lavra.</div>
</p>
<div>Se a palavra os sentimentos liga&#8230;</div>
<div>Quanto amor constelará nos mapas</div>
<div>Se de paixão a minha vida é rica?</div>
]]></content:encoded>
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		<title>Big Bang</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2010 18:03:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou verde-musgo como a pedra Que para de rolar o rio&#8230; Espera&#8230; Os músculos relaxam e cochicham Em tranqüilos chiados de espírito. Os espasmos de pensamentos partem Pelo dorso frio do rio&#8230; Expandem-se Até as outras margens do indivíduo E &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=681"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou verde-musgo como a pedra<br />
Que para de rolar o rio&#8230; Espera&#8230;<br />
Os músculos relaxam e cochicham<br />
Em tranqüilos chiados de espírito.</p>
<p>Os espasmos de pensamentos partem<br />
Pelo dorso frio do rio&#8230; Expandem-se<br />
Até as outras margens do indivíduo<br />
E ali restam indefinidamente consigo.</p>
<p>Não existe sequer um movimento.<br />
Transmuto-me em mim mesmo,<br />
Em um estar parado e infinito.</p>
<p>E é assim que, mesmo imóvel, sigo.<br />
E seguimos todos, e seguimos tudo<br />
Na estagnada velocidade do mundo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Soneto para a vampira Clarimonde</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2010 13:43:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[“Vous me demandez, frère, si j’ai aimé ; oui. C’est une histoire singulière et terrible…” “Você me pergunta, irmão, se amei; sim. É uma história singular e terrível&#8230;” La morte amoureuse Théophile Gautier (1836) Nego-me a existência, Clarimonde, E desfio &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=680"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:right;">“Vous me demandez, frère, si j’ai aimé ; oui.<br />
C’est une histoire singulière et terrible…”</p>
<p style="text-align:right;">“Você me pergunta, irmão, se amei; sim.<br />
É uma história singular e terrível&#8230;”<br />
La morte amoureuse<br />
Théophile Gautier (1836)</p>
<p style="text-align:left;">
Nego-me a existência, Clarimonde,<br />
E desfio o cotidiano com apatia,<br />
Levando-te sonâmbulo dia-a-dia<br />
Sob os olhos na insônia afogados.</p>
<p style="text-align:left;">Se é por ti toda fé que em mim havia,<br />
Dar-te-ia sem receio, o braço,<br />
Para o sangue transformar-se em pasto<br />
Desta boca que explora vidas.</p>
<p style="text-align:left;">Seguiriam por teu colo enluarado<br />
As fremidas noites de orgia<br />
Que a lembrança já me faz cansado.</p>
<p style="text-align:left;">De tua pele eu faria meu sudário,<br />
Remetendo toda morte à alegria<br />
E a santa eternidade ao caralho.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Equilíbrio</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Oct 2010 01:39:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Equilibram-se os corpos Em constante tentativa, Desnudos, ébrios de poesia, Aliviados da pequena morte. Tudo é breve pulsão à vida Pendular de vibrante sorte, Que perdura ao estrelar de dia A boemia que divaga a noite. Pouco importa a metáfora &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=679"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Equilibram-se os corpos<br />
Em constante tentativa,<br />
Desnudos, ébrios de poesia,<br />
Aliviados da pequena morte.</p>
<p>Tudo é breve pulsão à vida<br />
Pendular de vibrante sorte,<br />
Que perdura ao estrelar de dia<br />
A boemia que divaga a noite.</p>
<p>Pouco importa a metáfora<br />
Que no sonho da palavra embarca<br />
Suplicante, pelo horizonte da nuca.</p>
<p>Liquefaz-se em abraço morno<br />
O sussurro que sugere ao sono<br />
Um abrigado porto de ternura.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Desemprego do Trema</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Oct 2010 14:59:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabou a tranquilidade do Trema. Não aparecia com frequência, Não batia mais ponto na repartição&#8230; Alcaguetaram para a Gramática que, Sem pensar nas consequências, Expulsou o Trema da Pontuação. Até de delinquente chamaram o coitado! Ele não teve direito de &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=678"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabou a tranquilidade do Trema.</p>
<p>Não aparecia com frequência,<br />
Não batia mais ponto na repartição&#8230;</p>
<p>Alcaguetaram para a Gramática que,<br />
Sem pensar nas consequências,<br />
Expulsou o Trema da Pontuação.</p>
<p>Até de delinquente chamaram o coitado!<br />
Ele não teve direito de arguir nada&#8230;</p>
<p>Depois, tentou concurso para reticências&#8230;<br />
Não passou por um ponto.</p>
<p>Hoje, anda por aí desmilinguido da vida.<br />
Quer morar na Alemanha, mas o voo para lá é caro.<br />
Aliás, aí está outro fato sem nenhum nexo:<br />
Demitiram da companhia o melhor piloto Circunflexo</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Entre Parênteses</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Oct 2010 13:40:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[(Um Parêntese apaixonou-se&#8230; &#8230; Pelo outro, que estava longe) (Da linha de cima&#8230; &#8230; Espiava a de baixo) (Na esquerda da página&#8230; &#8230; Paquerava o fim da margem) Segredinho: ( é triste o amor distante)Outro segredo : (são as palavras &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=589"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='post-body entry-content'>
<div align="left"><span style="font-size:180%;">(</span>Um Parêntese apaixonou-se&#8230;</div>
<div align="right">&#8230; Pelo outro, que estava longe<span style="font-size:180%;">)</span></div>
<div align="left"><span style="font-size:180%;">(</span>Da linha de cima&#8230;</div>
<div align="right">&#8230; Espiava a de baixo<span style="font-size:180%;">)</span></div>
<div align="left"><span style="font-size:180%;">(</span>Na esquerda da página&#8230;</div>
<div align="right">&#8230; Paquerava o fim da margem<span style="font-size:180%;">)</span></div>
<div align="center">
<p>Segredinho<span style="font-size:180%;">: (</span> é triste o amor distante<span style="font-size:180%;">)<br /></span>Outro segredo <span style="font-size:180%;">: (</span>são as palavras que separam os amantes<span style="font-size:180%;">)</span></div>
<div align="left">Um dia, o Parêntese de cima&#8230;</div>
<div align="right">&#8230; Fugiu de sua linha<span style="font-size:180%;">)</span></div>
<div align="left">O Parêntese de baixo&#8230;</div>
<div align="right">&#8230; Perdeu a serventia<span style="font-size:180%;">.</span></div>
<div align="center">Veio o Ponto final<span style="font-size:180%;">.<br /></span>Para onde foram os Parênteses<span style="font-size:180%;">?</span></p>
<p>A Vírgula disse que não viu nada<span style="font-size:180%;">,<br /></span>O Ponto disse que nada viu<span style="font-size:180%;">.<br /></span>Só os Dois Pontos cochicharam para o Travessão<span style="font-size:180%;">:<br />_</span> Quando perguntamos onde estiveram<br />Um dos danadinhos sorriu </div>
<div align="center"><span style="font-size:180%;">: )</span></div>
<div style='clear:both;'></div>
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>O Beijo</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Oct 2010 02:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Desiguais, as extremidades da boca Amam-se pelo acordo da palavra, Desvairando emoções em voz rouca Como quem confessa a própria alma. Porém, é sonho de toda carne, Sobre lábios de temerosos verbos, Vibrar em silencio, como quem arde Úmidas confissões &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=677"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desiguais, as extremidades da boca<br />
Amam-se pelo acordo da palavra,<br />
Desvairando emoções em voz rouca<br />
Como quem confessa a própria alma.</p>
<p>Porém, é sonho de toda carne,<br />
Sobre lábios de temerosos verbos,<br />
Vibrar em silencio, como quem arde<br />
Úmidas confissões de sentimentos.</p>
<p>E deixar toda poesia em suspense<br />
Ao lascivo paladar pungente<br />
Que a língua em brinde oferece.</p>
<p>Até em brisa tornar-se, o beijo;<br />
Impresso em face rubra do desejo,<br />
No adeus que aos amantes não fenece.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Incêndio</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Oct 2010 22:14:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Alexandria nos meus olhos, queima Uma pira de livros e poemas. Tardes e noites em pó de cinzas Sem intervalos, noites e dias&#8230; Na voz do vento o verso cala. Todo o sentimento vai&#8230; vai&#8230; Vai embora por estradas de &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=676"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Alexandria nos meus olhos, queima</div>
<div id="_mcePaste">Uma pira de livros e poemas.</div>
<div id="_mcePaste">Tardes e noites em pó de cinzas</div>
<div id="_mcePaste">Sem intervalos, noites e dias&#8230;</div>
</p>
<div id="_mcePaste">Na voz do vento o verso cala.</div>
<div id="_mcePaste">Todo o sentimento vai&#8230; vai&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Vai embora por estradas de ar</div>
<div id="_mcePaste">Que assobiam&#8230; Até nunca mais&#8230;</div>
</p>
<div id="_mcePaste">No esteio de algum horizonte,</div>
<div id="_mcePaste">Talvez os retalhos se encontrem</div>
<div id="_mcePaste">Na forma de um eco vibrante</div>
</p>
<div id="_mcePaste">E na cor de outros olhos, queimem</div>
<div id="_mcePaste">Amarelos e vermelhos, poemas novos</div>
<div id="_mcePaste">E novas despedidas, eternamente.</div>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Getulinho &#8211; Filé de Borboleta</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Sep 2010 20:19:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A mãe deu o nome de Getúlio, Getulinho. Pouco depois era Getulinho Filé de Borboleta, pela magreza. Com o tempo ficou mesmo só Filé. Filé já me fazia levitar antes da concepção. Isso não significa que era humorista, palhaço ou &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=675"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A mãe deu o nome de Getúlio, Getulinho. Pouco depois era Getulinho Filé de Borboleta, pela magreza. Com o tempo ficou mesmo só Filé.<br />
Filé já me fazia levitar antes da concepção. Isso não significa que era humorista, palhaço ou cínico. Tinha daquelas almas leves, do barro mais fino. Uma raridade.<br />
Como você não pode duvidar de mim, conto sem vergonha: Filé saiu de um parto sem dor, às gargalhadas. A parteira, espantada, gritou – Assombração! Até eu fiquei preocupado e olhei para os lados, sem nada ver, claro. Foi a primeira peça que Filé me pregou.<br />
Fato triste, mas, quando a mãe viu o bebê sapeca, sorriu o mais belo sorriso e disse, antes de morrer de alegria: Getúlio! Getulinho! E morreu. De alegria. Mas morreu. Mesmo.<br />
Na época das fraldas foi criado por um grupo de maritacas, as solteironas do lugar. Falou rápido, e sua primeira palavra foi – Sorvete!, acompanha de um beijo na propaganda da TV.<br />
Com sete anos foi pego colando na escola. No pequeno papel, a tabuada do 8&#8230; mas a prova era de português. Getulinho não era burro, mas tinha um medo tão terrível de números, que nunca conseguiu sair do segundo ano.<br />
Pelo resto de sua vida nunca teve casa certa, pelo menos que eu saiba. Filé conseguia driblar minha onipresença e onisciência&#8230; Ou melhor, confesso que me permiti esse mistério.<br />
Fato que Getulinho Filé de Borboleta era propriedade da cidade. Passava os dias aqui, acolá, ora na padaria da praça, ora na oficina mecânica, ora no armarinho comercial etc. Todos queriam sua companhia, mesmo que ficasse apenas quieto, escutando &#8211; uma raridade, claro.<br />
Mesmo não freqüentando a sala de aula, vira e mexe estava na escola, na biblioteca. Filé devorava os livros para depois contar as aventuras para as pessoas. Me peguei desconcentrado do trabalho várias vezes só para escutar o Filé. Eita peste! Sabe aquela Tsunami? Foi Getulinho falando o Dom Quixote.<br />
Nunca trabalhou. Nunca teve um emprego. Não precisava de dinheiro, comprar sapatos, roupa, relógio &#8211; aliás, Filé nunca perguntou &#8211; Que horas são? &#8211; ou comida. O magricela andava sempre arrumadinho, limpinho e de barriga cheia. Mas também não era vagabundo. A cidade sabia pagar, a seu modo, por sua função.<br />
Não teve namoradas. Filé, como bem coletivo, era de todas as ruas e casas. Exercia uma paixão secreta, uniforme, contínua, sem rompantes, sadia. Uma paixão sem necessidade de apaixonados.<br />
Portanto, não teve filhos. Mas não foi apenas uma criança que chamou – Papai!, ao ver Getulinho passar. Na minha eternidade, uma pontada de inveja – inveja branca, claro – por tamanha aceitação.<br />
Morreu velhinho, no dia 25 de dezembro, outra de suas pegadinhas. Foi o Natal mais quente em 2.000 anos.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Chorinho para Eurídice</title>
		<link>http://thiagocascabulho.com.br/?p=23</link>
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		<pubDate>Sun, 16 May 2010 00:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>cascabulho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O primeiro acorde da Lira insiste Para delírio dos meses&#8230; Eurídice&#8230; Em um inferno sem nenhum poema Foi contigo morar a minha pena. E mesmo não sentindo ao peito A minha mão como se fosse tua, Compartilho teu lamento como &#8230; <a href="http://thiagocascabulho.com.br/?p=23"></a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O primeiro acorde da Lira insiste<br />
Para delírio dos meses&#8230; Eurídice&#8230;<br />
Em um inferno sem nenhum poema<br />
Foi contigo morar a minha pena.</p>
<p>E mesmo não sentindo ao peito<br />
A minha mão como se fosse tua,<br />
Compartilho teu lamento como meu<br />
Entre as sombras frias da loucura.</p>
<p>Mas sofre, então, de sentimento,<br />
Que com razão a vida é sempre dura.<br />
Recolhe na tua raiva o meu alento.</p>
<p>E, quando no vazio descobrir-se ausente,<br />
A tristeza talvez permita uma pergunta:<br />
Na vida qual amor não é presente?</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://cascabulho.files.wordpress.com/2010/05/capacd_2.jpg"></a></p>
]]></content:encoded>
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